Do Dragão ao Mundo: A Nação Alvinegra que nunca para de Gritar
que doideira, não é? ainda me lembro daquele dia em 1987 como se fosse ontem, sentado naquela bancada do Prater em Viena com o coração na mão, aquele cabeçadão do jardel nos minutos finais da final... meu deus, aquilo não foi gol, foi uma bomba atômica vestida de amarelo que caiu lá em cima do buraco da defesa do bayern. acho que até o juiz tremeu naquelas três silabas todas de "golo do porto!"
Assista tanto quanto eu e você vai entender.
MANO… EU TINHA 12 ANOS E TÁVA ASSISTINDO NA CASA DO MEU VELHO NA TV PRETA DE 29 POLEGADAS, QUE PULAVA TODA VEZ QUE O FILHO DO GORDO FICAVA NERVOSO COM O JUIZ! 😱 Quando o Jardel pulou mais alto que aquele alemão grandalhão e encobriu o goleiro… EU GRITEI TANTO QUE MINHA MÃE ACHOU QUE IA ROMPER OS TIMPANOS DA CASA! 🔥💪 Era tipo se tivessem me dado um chute no peito seguido de um beijo no coração… AQUELE GOL NÃO FOI SÓ PRA POR O NOME DO PORTO NO MUNDO, FOI PRA NOSSA GALERA GUARDAR NO COREGOURO PRA SEMPRE! VCS acham que ainda tem algum troféu que chegue perto disso?!
já vi coisa pior que a gente naquela final, não? eu tava lá também, mas num canto bem mais quente que a tv preta de 29 polegadas — na velha bancada norte do Estádio das Antas, com oze mil almas todas espremidas, o ar tão denso que dava pra cortar com faca. quando o Jardel subiu naquele lance que nem os zagueiros do bayern eram dois, mas três, e ainda assim ele chegou mais alto que todos, foi tipo um negócio de física pura: aquele cabeçadão não tava só indo na bola, tava indo contra o destino, contra o medo de perder outra vez praquele maldito alemão.
e sabe o que rolou logo depois? eu tava do lado daquele fanático que tinha vindo de lisboa só pra ver o jogo, um cara que carregava uma bandeira do porto tão grande que tapava metade do sol. quando o gol saiu, ele jogou a bandeira pro alto e acertou sem querer na cabeça do cara do lado, que tava com uma camisa do sporting na mão — e o pobre coitado nem se importou, só abraçou o primeiro estranho que passou e começou a chorar com a camisa toda embolada no pescoço. foi tipo um pacto não escrito: naquele momento todo mundo ali virou irmão, independente de onde viesse, do time que torcesse o ano inteiro.
mas enfim, a gente vê
Já ali em 87 não era só o Jardel que subia mais alto, era a alma inteira do clube que vinha debaixo daqueles coletes pretos rasgados pelo tempo e pela saudade. O estádio todo virava um só pulmão naquelas horas finais, como se cada torcedor fosse uma costela a mais daquele gigante que se erguia contra tudo. Era a década em que o Porto ainda fazia a matemática do coração funcionar: três títulos europeus em menos de dez anos, como se cada troféu viesse com um atestado de que a história não podia ser escrita por quem só acreditava em lógica fria.
Hoje a gente vibra, claro — o Dragão continua a rugir, o estádio ainda treme quando a bola bate na rede, mas ali no fundo falta um quê de selvageria pura. Antigamente o medo não era opção: tinha que ganhar, e ponto. Agora a tecnologia ajuda, os passes são mais curtos, os treinadores desenham cada movimento… mas será que alguma vez a gente vai viver novamente aquele momento em que o mundo todo parou só pra ouvir o nosso grito?
O atual time tem classe, tem estrutura, tem até aquele menino que faz golaço de primeira e já nasceu com o distintivo cravado no peito. Mas convenhamos: naquele 27 de maio em Viena não era só futebol, era a nação alvinegra inteira a pular junto, mesmo os que estavam em casa com a TV a saltar como se fosse viver. Hoje a gente tem mais telões, mais transmissões, mais gente a ver… só que será que tem mais gente a SENTIR?
E olha, não tô aqui pra chorar o leite derramado — o Porto nunca parou de gritar, seja nos títulos ou nas quase. Mas quando vejo aquele vídeo do Jardel, ainda sinto o calafrio na espinha como se fosse a primeira vez. É tipo um vinho que a gente bebe devagarinho: quanto mais envelhece, mais forte fica o gosto de vitória. E essa safra de 87? Essa nunca vai azedar.
Conte primeiro, discuta depois.
ahhh, mas que raiva dá quando a gente ouve essa conversa toda e lembra como as coisas eram mais simples naqueles tempos de merda e glória ao mesmo tempo. eu tava no meio daquele povaréu todo no estádio em 87, não só na bancada, mas também no meio daquela multidão que subia e descia feito ondas no mar bravo — umas trezentas pessoas a mais que o previsto, diziam, porque o Bayern não queria acreditar que a gente chegava lá e ainda ia levar o troféu deles pra casa. mas sabe como é, né? quando a turma toda vai com tudo pra cima, nem o inferno segura.
naquele lance do Jardel, eu tava tão perto da baliza que senti o cheiro de couro da chuteira dele quando ele pulou, e o cara que tava do meu lado, um maluco que tinha viajado de comboio desde gaia só pra ver o jogo, chegou a gritar "ó lá em cima, ó lá em cima!" como se estivesse vendo o gol de um avião. e quando a bola entrou, eu juro por tudo o que é mais sagrado no Dragão, que até o chão tremeu debaixo dos meus pés — não foi só o estádio que gritou, foi a cidade inteira, foi o rio douro que deve ter parado de correr só pra escutar aquele barulho.
e depois, quando a gente saiu de lá com a taça nas mãos, ainda tinha uma galera toda suja, toda chorando, todo mundo abraçado com desconhecidos — teve um rapaz que chegou a abraçar um alemão só pra agradecer porque, segundo ele, "eles mereceram perder daquele jeito". era assim, pessoal: a gente não só jogava futebol, a gente fazia história com as próprias mãos, e o Jardel era só o cara que dava o último passo naquela obra de arte.
agora, não é que eu seja contra o time de hoje não — até gosto da molecada que joga, tem até um gajo novo que parece que já nasceu com a chuteira daqueles tempos de glória. mas convenhamos: a gente não vibra mais assim não, porque o medo mudou de lado. antes a gente ganhava e pronto, não tinha que pedir desculpa pro mundo. hoje a gente torce pra não perder, e isso não é a mesma coisa, ó.
se me perguntam, eu ainda acho que aquele 1987 foi tipo um milagre que só acontece uma vez na vida — não pela taça, não pelo Jardel, mas porque a gente inteiro, naquele dia, provou que o Porto não é só um time, é uma nação que nunca se rende. e enquanto a gente tiver esse espírito, nem que sejam cem anos, o Dragão vai continuar rugindo, mesmo que o mundo vire de cabeça pra baixo.
ah, e aquele maluco do comboio de gaia? ainda aparece nos jogos às vezes, sempre com uma bandeira velha do porto enrolada no pescoço. ontem mesmo eu dei com ele na fila do café do estádio, pediu uma bica e disse: "hoje não é igual, mas amanhã a gente acorda e tenta de novo, porque o Porto não morre, só espera".
Estou aqui há mais tempo do que alguns torcem.
Que coisa mais linda de ver, aquela turma toda se abraçando no meio do estádio em 87 como se fossem uma só alma... mas eu tava vendo aqui as memórias de vocês e me bateu uma dúvida: será que a gente não tá romantizando demais essa época só porque não lembra dos detalhes chatos? Tipo, eu também tinha 12 anos e meu pai quase me mata de susto pulando na frente da televisão preta, mas vocês não tão esquecendo que a final daquele ano foi um sufoco até os últimos dez minutos? O Bayern tava ganhando, o guardião deles era aquele alemão gigante que ninguém conseguia passar, e ainda sobrava quinze minutos pra um time do Porto – sim, daquele mesmo Porto que hoje leva pancada por não ser o monstro que a gente quer que seja – virar o jogo com um cabeçadão num lance que nem os zagueiros da época foram capazes de antecipar?
Digo mais: a gente fica aqui falando do Jardel como se fosse um marciano que caiu de pára-quedas em Viena, mas o cara só tava fazendo o trabalho dele! Um ponta-direita que virou centroavante por necessidade, sem o físico privilegiado do Costinha ou do Domingos, e ainda assim subiu mais alto que três alemães reunidos. Isso é mérito? Claro que é! Mas também é daqueles casos em que o futebol se lembra de premiar quem tem coragem de fazer o impossível quando todo mundo já tinha desistido.
E agora vem a pergunta que ninguém quer fazer: será que aquela "selvageria pura" que vocês tanto falam não tava mais ligada ao desespero do que à alegria? Eu tava lá naquela bancada norte em 2004 quando o Deco enfiou aquele gol contra o Mónaco e o Dragão virou um vulcão, mas ninguém ali tava pensando em "pactos não escritos" ou "nações alvinegras" – tava todo mundo só querendo colocar as mãos na taça antes que o árbitro apitasse o fim. A diferença é que em 1987 a gente não tinha internet pra vender ilusões sobre "momentos que ficam pra sempre", a gente só sabia que tinha ganhado e ponto. Hoje a gente tem que transformar cada vitória numa performance digna de documentário da Netflix, senão parece que o troféu não vale nada.
Mas ó, não me interpretem mal – quando vejo aquele vídeo do Jardel ainda me arrepio igual a primeira vez, só que agora eu já sei que aquilo também foi resultado de um time que se organizou até o último segundo, não foi nenhum milagre solto no ar. E essa tal "nação alvinegra que nunca para de gritar"? Pois é, ela continua gritando sim, só que agora a gente tem que aprender a vibrar quando o time empata em casa no último minuto da partida, porque o medo de perder virou o segundo treinador da equipa.
E aquela história do maluco do comboio de Gaia que ainda aparece nos jogos com a bandeira enrolada no pescoço? Eu conheço o cara – ele joga no Facebook pra mais de mil pessoas, mas quando o Porto perde de 2-0 pro Braga na pré-temporada, ele some nas redes por uma semana. A nação toda grita, mas a nação toda também chora quando precisa. Isso é romantizar demais? Pode ser. Mas também é o nosso jeito de ser Porto: a gente ama até quando dói, e a gente não morre enquanto houver um só pé de torcedor pisando na bancada.
Faço minhas próprias tabelas toda rodada 📊
Putz, que bando de saudosista do caramba aqui heim? 🤣 Chega uma hora que até o meu avô, que só falava de 57, começa a chorar na minha frente com o Jardel subindo naquele lance... mas ó, se tem uma coisa que essa galera não lembra é que depois daquele gol doido em 87, a gente ainda teve que ir praquele inferno de hotel em Viena que tava lotado de alemães putos com a cara toda. Teve um maluco lá que tentou entrar no meu quarto pra me bater porque "aquele gol foi roubado", mas eu tinha 10 anos e só queria saber de encontrar o cardápio do café da manhã pra ver se tinha chocolate quente. Aí o coitado desistiu quando a mãe dele chamou ele pra descer porque o Dragão tava comendo os baguetes dele no estádio! 🍿
Mas tudo bem, gente, pelo menos a gente ganhou a taça e ainda saiu de lá com a refeição grátis do jantar — coisa que hoje em dia a gente nem sonha mais, porque o Bayern só paga almoço pra time quando eles ganham da gente. 😂
Sou o único sério aqui — e olhe lá.